Volume 7 | Número 1
Janeiro a Abril de 2010

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Editorial

 

O que é necessário para produzir um bom artigo? Isto é, aquele que passe pela revisão de pares e que seja aceito para a publicação. Provavelmente, pelo bom senso, diria que o artigo que apresente uma idéia interessante, um problema de pesquisa bem discutido, dados relevantes e realize observações efetivas, deverá ser geralmente aceito. Entretanto, isso não acontece sempre. Após ter acompanhado várias revisões de manuscritos submetidos, é impressionante como é freqüente, que numa análise final, muitos artigos tenham sido rejeitados porque os revisores simplesmente não conseguiram entender o trabalho, ou o modo como as conclusões foram alcançadas.
As estatísticas da Brazilian Business Review - BBR de certo modo refletem isso. Em 2009 a taxa de aceitação de trabalhos para a primeira submissão oscilou em torno 10% a 15%. Quando eventualmente autores revisam o artigo e re-submetem para uma segunda revisão a taxa de aceitação aumenta significativamente. Na maioria das vezes as revisões realizadas para uma nova submissão não envolvem re-análise dos dados ou nova experimentação, mas principalmente explicar melhor o que foi feito na pesquisa e como o resultado é uma contribuição para área do conhecimento.
Para nós pesquisadores, a capacidade de escrever efetivamente para fins de publicação, é uma habilidade que se adquire com o tempo. Certamente há diversas regras e dicas de como aprender a se comunicar através da escrita técnica. As abordagens propostas são sempre fundamentadas em dois elementos chaves: repetição e feedback. Aprendemos a escrever melhores artigos, a medida que escrevemos mais e pela submissão dos mesmos para uma revisão crítica. Usualmente, acreditamos que os trabalhos que são submetidos para um periódico são revisados exclusivamente pelos seus aspectos técnicos, entretanto a experiência sugere que o fator mais relevante é a clareza dos conceitos e a coerência lógica das idéias que são apresentadas.
Sugestões Práticas? Provavelmente a melhor maneira de assegurar a qualidade de um artigo é pedir para que o mesmo seja lido e comentado por outra pessoa, que geralmente conheça sobre o tema ou que escreva artigo técnico – ou seja, outra pessoa semelhante aos revisores do periódico. Caso essa pessoa tenha dificuldade em acompanhar o manuscrito, é provável, que um revisor anônimo não irá entender o trabalho também. Escrever um bom artigo é um objetivo elusivo e difícil de ser predefinido por normas e regras, entretanto deve-se ter consciência que todo o trabalho comunica-se pelo menos em dois níveis, apresentando informação técnica ou dados e também pelo processo de exposição do raciocínio critico dos autores.
Em suma, a “apresentação” do artigo é crucial para sua aceitação, envolvendo entre outros pontos, primeiro o estilo do autor que deve zelar por uma linguagem objetiva e clara. O segundo ponto relacionado com a coerência, que está associado com a seqüência como o tema é exposto, encadeamento lógico das idéias e argumentos e o terceiro aspecto, também crucial, relacionado com a documentação estrutural, tais como observância as normas de apresentação de trabalhos científicos.
Nesta primeira edição de 2010 apresentamos seis artigos a comunidade científica. O primeiro trabalho desta edição é da autoria de Silvania Neris Nossa, Alexsandro Broedel Lopes e Aridelmo Teixeira. Neste artigo, os autores dedicam-se a um tema provocativo e instigante: a verificação se existe relação entre o anúncio de recompra de ações por empresas winners ou empresas losers e o retorno anormal. Os resultados apontaram diferenças significativas quando se segrega o período de anúncio em antes e após a Instrução CVM 299/1999.
Na seqüência o trabalho de Márcio André Veras Machado, Otávio Ribeiro Medeiros e Willian Eid Júnior. Os competentes autores analisam se a estrutura de capital é sensível às medidas utilizadas para mensurar a alavancagem. Os resultados evidenciam que mais da metade da heterogeneidade cross-seccional do índice de alavancagem é proveniente de variações no índice PNO/AT.
No terceiro artigo desta edição, José Valentim Machado Vicente e Tiago de Sousa Guedes, explorando tema muito interessante estudam a relação entre a volatilidade implícita e a realizada. Para tal, analisam o mercados de ações e de opções de compra de Petrobras no período de janeiro de 2006 até dezembro de 2008. Com base nos resultados, observam que a volatilidade implícita das opções out-of-the-money contém mais informações sobre a volatilidade futura do que a volatilidade histórica. Já as volatilidades implícitas in-the-money e at-the-money apresentaram fraco poder explanatório da volatilidade futura.
O quarto artigo é de autoria de Fernando Henrique Câmara Gouveia e Luis Eduardo Afonso, neste trabalho os autores investigam com rigor se a taxa de retorno obtida pelas instituições financeiras nas operações de consignação de crédito do INSS é a mesma obtida nas operações de crédito consignado para outras pessoas físicas. Os resultados fornecem evidências significativas que, para a amostra selecionada, a taxa de retorno obtida por essas instituições é maior nas operações de crédito consignado para os beneficiários do INSS. 
Raimundo Nonato Sousa da Silva e Tiago de Amorin Bueno Vieira são os autores do quinto trabalho nesta edição. Num artigo de grande relevância, analisa-se a implementação e o uso de Sistemas Integrados de ABC-EVA como uma ferramenta de engenharia, que identifica atividades que sejam criadoras de valor econômico adicionado e que portanto contribuam para a riqueza do acionista. O impacto do aumento da confiabilidade da informações de custos sobre o desempenho do negócio é outro dos pontos discutidos no artigo.
No último artigo desta edição, Esmael Almeida Machado, Lauro Brito de Almeida, Paulo Mello Garcias e Alencar Garcia Bacarji, num trabalho muito bem estruturado, procuram identificar se o desempenho operacional e financeiro das empresas de laticínio no Brasil entre os anos de 1997 e 2006 influenciou os níveis de concentração do setor. Os resultados da pesquisa sugerem que o desempenho das empresas, os indicadores operacionais e financeiros, induz mudanças na estrutura de mercado e na posição das empresas – medidas pela razão de concentração.
Na expectativa que esta edição seja do agrado de todos, desejo-lhes uma boa leitura!

Antonio Lopo Martinez
Editor-Chefe

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