Todo o trabalho científico, por mais profundo e extenso que seja, não conclui, em sentido estrito, por que não encerra o assunto. É crucial lembrar que toda investigação, ao mesmo tempo que dissipa algumas dúvidas, levanta mais outras. Mais do que um ponto de chegada, põe-se um ponto de partida para novas indagações.
Almeja-se que as pesquisas apresentadas nas edições da Brazilian Business Review – BBR em 2009, não fujam à regra. As conclusões e os resultados não se tratam de encerramento de uma discussão, mas do descerramento de muitos problemas a resolver.
O que se pretende realçar, nesta instância, além da inexauribilidade imanente de toda pesquisa, é que o propósito da BBR foi mais o de fomentar discussões e o de apresentar um temário de problemas inter-relacionados com o campo da administração, finanças e contabilidade, do que a simples publicação de artigos.
Nesta última edição de 2009 apresentamos mais seis artigos provocativos a comunidade científica. O primeiro trabalho desta edição é da autoria de Luiz Eduardo Gaio, Karina Lumena de Freitas Alves e Tabajara Pimenta Júnior. Neste artigo, os autores dedicam-se a revisar, com dados recentes, a eficiência do mercado acionário brasileiro. Os resultados mostraram que o mercado de ações brasileiro não evidenciou características de um mercado eficiente na forma fraca.
Na seqüência o trabalho de Suliani Rover, Artur Felipe Ewald Wuerges, Eduardo Cardeal Tomazzia e José Alonso Borba analisam o efeito sunk costs no processo decisório. Realizando um estudo entre discentes, os resultados confirmam a relevância do viés cognitivo causado pelos sunk costs, evidenciado por uma probabilidade menor de acerto dos problemas quando estes envolvem sunk costs na decisão.
No terceiro artigo desta edição, Gilmar Ribeiro de Mello e Valmor Slomski, exploram tema atual e muito interessante, Parcerias Público-Privadas no Setor Rodoviário. Mediante coleta de dados primários e secundários, os autores analisam o contexto em que surgiram os contratos PPPs no Brasil. A pesquisa permite identificar que não existe uma concordância entre a essência do objeto contratual e a forma jurídica dos contratos PPPs na criação de infra-estruturas rodoviárias no Brasil. Tanto os termos da Lei nº. 11.079/04, quanto os da Portaria nº. 614/06, limitam a análise da essência do contrato, induzindo à supremacia dos aspectos formais sobre a essência na hora de avaliar o fenômeno a ser contabilizado.
O quarto artigo é de autoria de, Fábio Frezatti, Tania Regina Sordi Relvas, Artur Roberto do Nascimento e Emanuel Rodrigues Junqueira. Em análise crítica da contabilidade gerencial no Brasil, a partir da percepção dos professores da área gerencial dos programas de pós-graduação stricto sensu em contabilidade, os autores constatam uma convergência significativa entre a percepção dos professores e a literatura, principalmente quanto ao usuário, foco de análise e órgãos reguladores, todavia alguns pontos ficaram razoavelmente destoantes (outros usuários, princípios e temas relevantes).
Renata Simões Guimaraes e Borges é a autora do quinto trabalho nesta edição. Num artigo de grande relevância, discute-se o papel das práticas de recursos humanos para a efetivação de mudanças organizacionais. Através de um estudo de caso conduzido numa importante mineradora brasileira, ficou evidenciado que o sucesso das mudanças organizacionais depende das práticas de recursos humanos.
No último artigo desta edição, Larissa Vieira Zamprogno, Jaime de Jesus Filho e Bruno Funchal , num trabalho instigante, analisam como o grau de proteção ao credor e a existência de sistemas de informação de crédito influenciam no desenvolvimento do mercado de crédito dos países integrantes do Mercosul. Os resultados obtidos indicam que apesar do efeito ser positivo para todos os países do Mercosul, aqueles com maior índice de desenvolvimento do mercado de crédito são mais sensíveis a um aumento tanto no direito do credor como na implementação de um sistema de informação de crédito.
Concluindo mais um ano, nota-se que há ainda um longo caminho a percorrer. Nossas dúvidas e questões de pesquisa não terminam aqui. Pelo contrário, aqui se potenciam. É por isso que concluímos fazendo nossas as palavras T.S. Elliot: in my end is my beginning. Que neste fim de ano esteja a base para um novo começo.
Desejo-lhes uma boa leitura e muito sucesso em 2010!
Antonio Lopo Martinez
Editor Chefe