ISSN 1807-734X    QUALIS B1
14 | 2
Março Abril 2017
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Prezados leitores,
 
Nesta segunda edição da BBR em 2017, temos a honra de apresentar seis novos artigos que esperamos que despertem o interesse da nossa comunidade. O processo de selecionar os artigos a serem publicados é complexo e envolve a articulação de acadêmicos que dispõem seu tempo e esforço voluntariamente para colaborar neste processo. Das diversas razões pelas quais autores recebem a notícia de que seus artigos não serão publicados na Brazilian Business Review encontra-se uma questão estrutural que eu gostaria de discutir brevemente com vocês: a falta de um argumento.
 
Um argumento é uma proposição, uma afirmação, uma tese, sobre a qual alguém pode dizer que concorda ou discorda. É diferente de dado e de resultado. Os dados são a evidência empírica que, ao ser analisada, permite chegar a um resultado. Entretanto, os resultados não falam por si. Quando entendemos que a maior conclusão da nossa pesquisa é a identificação de um efeito moderador de A na relação entre B e C não estamos apresentando um argumento, mas um resultado, fundamentado em dados. Da mesma forma, ao realizarmos uma análise da fala de entrevistados (dado) obtemos, por exemplo, uma lista de formas pelas quais um determinado fenômeno se manifesta (resultado). Entretanto, dados e resultados possibilitam uma descrição mas, para elevar um estudo a um nível teórico de contribuição, faz-se necessário refletir sobre o que esses resultados significam e de que forma eles se conectam com a literatura existente. 
 
No fim, queremos saber qual é a afirmação teórica, por vezes contraintuitiva, para a qual o estudo revelou evidências empíricas. Recomendamos fortemente que este questionamento seja feito por autores durante o processo de concepção e construção de seus estudos e que, após concluídos, estejam evidenciados claramente no resumo do artigo. Ademais, quando o título revela pistas de um argumento ou desperta a curiosidade para uma questão relevante, a chance de o artigo ser lido cresce substancialmente. Mas não é fácil fazer isso. Como disse um autor que tenho como desconhecido, "eu queria escrever um bilhete, mas como estava sem tempo, escrevi uma carta".
 
Nesta edição, apresentamos seis artigos que foram por esse processo de revisão e que, após os processos de indas e vindas entre autores, editores associados e pareceristas, foram considerados como mais competitivos do que as demais submissões que recebemos na BBR. Parabenizo os autores e agradeço pelos envolvidos no processo de avaliação. Além disso, finalizo este editorial com um convite pra que busquemos elevar nossos artigos para além do nível da descrição de fenômenos e que busquemos apresentar contribuições teóricas. 
 
Qual é o seu argumento? :)
 
Boa leitura a todos.    

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